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  G. R XI Republicano
   
C.R XI Republicano Na noite de 15 de março de 1952 um grupo de apaixonados do futebol de várzea, a maioria moradores do bairro do Mercado, reuniu-se para criar um novo clube para integrar o então movimentado mundo do esporte amador da nossa região (dava gosto ler as páginas dedicadas ao esporte amador em "A Tribuna", com a tradicional coluna Sem Jogo, pela qual se escolhiam adversários, e em "O Diário").

Na parte baixa da residência da Rua República Portuguesa n. 29, ao lado da Av. Campos Sales e entre as ruas Silva Jardim e Campos Melo, deu-se a reunião de fundação e já de imediato a instalação da sede social, que ali permaneceria por longos anos.

Foram escolhidas as cores verde e branca e, depois de muitos debates, aprovou-se o nome, com inspiração no próprio endereço: Republicano, porque era sediada em uma rua de uma República, a Portuguesa.  A sugestão aceita foi apresentada pelo saudoso esportista e mais tarde renomado corretor de imóveis, Braz Egídio Augusto, cuja família descendia dos nossos avozinhos e, em peso, fazia parte do clube. 

A primeira diretoria foi assim constituída: Presidente: Wilson Nascimento; Vice-Presidente, José Pereira; 1.o Secretário, Paulo Coelho Belo; 2.o Secretário, Isaías Rocha Sobrinho; 1.o Tesoureiro, Aristeu Borges Beirão; 2.o Tesoureiro, Diógenes Belo Coelho; 1.o Diretor de Esportes, Alfredo Bezerra; 2.o Diretor de Esportes, Braz Augusto; Diretora Social, Neide Augusto.  Foram também sócio-fundadores, entre outros, Antônio Dias, José Laudemir Santana e Irani Augusto.  Homenagem especial foi prestada ao Sr. Benedito de Oliveira Belo, escolhido Presidente de Honra.

irmãos Paulo e Diógenes Belo Coelho E se a família Augusto marcou os primeiros dias do Clube pelo número, os irmãos Paulo e Diógenes Belo Coelho marcaram praticamente toda a vida do XI REPUBLICANO, jamais se afastando dele, integrando sempre com zelo e dedicação exemplar as suas atividades e diretorias, além da efetiva participação como excelentes futebolistas, já que batiam o maior bolão!
Durante muitos anos o XI REPUBLICANO militou na várzea santista, atuando sempre aos domingos, à tarde. Foi sempre uma agremiação amadora, independente, que preferiu permanecer no futebol varzeano, não se filiando a nenhuma entidade reguladora.  E como era tradicional na época, enquanto na parte da manhã dos domingos na várzea só se jogava no pé curado, ou seja, todo mundo descalço, na parte da tarde o uniforme futebolístico era completo, todo mundo calçando as muitas vezes assustadoras chancas. E os goleiros, só para lembrar, com as indispensáveis joelheiras!

O XI REPUBLICANO, imitando os bons times de então, durante muito tempo dispunha de chuteiras próprias para fornecer a seus atletas.  E era uma trabalheira imensa para os diretores esportivos carregarem os sacos com uniformes completos, bolas e chuteiras para o campo e, de volta para a sede, bem mais pesados pelo suor e pela lama, nos dias de chuva, geralmente de bonde ou de ônibus, pois era muito raro alguém dispor de automóvel.  Era até mais comum alguém aparecer com algum caminhãozinho - não esquecer que o time era do Mercado -, e vários comerciantes jogavam no XI.

Na grande esplanada do futebol da várzea santista, em um quadrilátero de terrenos entre o Canal 5 e a Av. Alexandre Martins, e a Av. Epitácio Pessoa e a Av. Pedro Lessa, com mais de uma dezena de campos de futebol, o XI REPUBLICANO obteve a cessão do campo que, nos domingos pela manhã, outrora fora ocupado pelo Internacional F.C. e, depois, pelo Flórida F.C.  Graças a um esforço da diretoria de então, Paulo Coelho Belo à frente, o então IAPM - Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Marítimos, proprietário da área, por seu Delegado, Antenor Batista, autorizou o uso permanente nos domingos à tarde, tudo sempre em troca da conservação e limpeza do imóvel.  Durou até que o INSS, um dia, retomou toda a esplanada.  Onde jogava o XI, hoje estão as piscinas do enorme conglomerado poliesportivo cultural do SESC. Foi um bom acordo, enquanto durou, e não se pode negar que o espaço está muito bem utilizado.

Algumas características marcaram a história do XI REPUBLICANO.  Uma delas é que abominava o laço, ou seja, catar jogadores na hora das partidas, quer porque fossem reconhecidamente bons de bola, quer porque houvesse falta de um ou outro jogador para preencher uma posição. Não se aceitavam pessoas desvinculadas do clube: se fosse preciso (uma vez, sob temporal, em Mongaguá, foi preciso!) todo o time dobrava, ou seja, jogava como segundo e primeiro quadro, mas não aceitavam intrusos! Só jogava - dentro do incrível espírito esportivo amadorista - quem pagasse em dia o seu recibo mensal!...  (Naquele dia, em Mongaguá, só 11 jogadores chegaram a tempo de pegar o trem da Sorocabana, devido a um temporal que alagou as cidades - aqui e lá.  E os 11, com o Odair Alvarez de braço engessado, jogaram os dois quadros. E ganharam os dois!)

A sede era muito freqüentada pela juventude, na parte esportiva, pela prática de um tênis de mesa de primeira, com atletas que conseguiram muitas conquistas na cidade, como José Laudemir Santana, Carlos Oliveira (o Carriça), Joel Duarte e José Carlos Medeiros.  Como em todo clube de bairro, da época e de agora, predominava também um dominó acirrado!  E, na parte social, os tradicionais bailinhos entusiasmavam a todos, formando grupos que nas festas juninas montavam uma organizada quadrilha, que era sucesso no bairro, e várias vezes se apresentou a convite em outras agremiações. 

Hoje em dia. poucos clubes do futebol varzeano resistiram ao avanço imobiliário, com os campos praticamente extintos em nossa cidade. Na época, entretanto, quase todo bairro vivia rivalidades intensas entre dois ou mais times que conviviam na mesma área. Assim foi no bairro do Mercado, onde o XI REPUBLICANO surgiu para concorrer com o E.C. Flamengo, o mais antigo.  A rivalidade existiu por conta de ambos atuarem nos mesmos dias e períodos: domingos, à tarde, calçados. Outros clubes coexistiram no bairro como o C. A. Vila Nova, Palmeirinha, G.R. Athiê, geralmente contando com jogadores dos dois times, sem, entretanto, a mesma rivalidade, que, aliás, também era completamente esquecida quando os melhores jogadores desses times se integravam à Seleção do Mercado. E, naturalmente, todos convergiam, unidos, em igualdade de interesse, animação e dedicação para outro ícone do bairro: o Bloco Carnavalesco dos Chineses do Mercado. 

Cabe registrar, entretanto, que desde sua fundação o XI, embora sediado sempre no bairro, atraiu e recebeu de braços abertos associados e jogadores de outros bairros, formando uma coletividade de bons amigos até hoje ligados pela memória do futebol varzeano da época.

Pode-se registrar que o grande tira-teima dessa rivalidade se definiu no dia 18-3-1956, no festival de 4.o aniversário do XI REPUBLICANO, promovido no campo do Brasil F.C. Nesse dia o XI começou vencendo nos segundos quadros por 2 x 1, e, na esperada Prova de Honra, liquidou uma expectativa que durante semanas manteve o bairro em polvorosa, ganhando por 1 x 0.  O grande rival rubro-negro, depois disso, foi aos poucos fenecendo, até encerrar de vez a atividade.  Mas todos continuaram amigos.

Uma outra característica que marcava o XI REPUBLICANO era a preferência, em seus uniformes, por um tipo de camisa que, ao que se recorde, foi ele, se não o único na várzea, um dos raros a utilizar: a camisa aberta na frente, com botões e gola redonda.   Inspirados nos uniformes do River Plate, da Argentina, e da A. A. Americana, da Vila Belmiro. Esses modelos, executados por exímias costureiras, todos os anos chamavam a atenção dos adversários do XI, por sua beleza e elegância, quer fossem as camisas verdes ou brancas.   Cada novo uniforme era desenhado e mantido em sigilo e revelado somente na hora da Prova de Honra do Festival que o XI promovia a cada aniversário.  E foram mais de 25 deles, até o dia em que o clube encerrou sua atividade, ficou sem o campo de tantos anos e entregou o prédio da sede, dispersada a velha guarda, com os velhos camaradas seguindo outros destinos, inclusive, para muitos, o da última morada, para saudade e tristeza dos remanescentes.

O primeiro jogo do XI foi em Piaçaguera (viagem no trem da E.F. Santos a Jundiaí!...), contra o E.C. XV de Novembro.  O time do XI, no dia da estréia, em 1952, está na galeria de fotos abaixo.

Rubens Fortes Texto e fotos do jornalista Rubens Fortes que escreve para os sites PortoGente e Truppe da Terra

O caso do Bode, por Cesar Augusto Lopo

"Um fato curioso e pitoresco que aconteceu em certa ocasião e comprova o que diz o Rubens quanto ao fato de só poder jogar quem pagasse recibo, foi o seguinte:
"BODE" foi um centro-avante baiano que o Corintians trouxe da Bahia e que após jogar em alguns clubes acabou encerrando sua carreira no Jabaquara. Após algum tempo depois de terminada a carreira apareceu um domingo a tarde em nosso campo, levado não lembro por quem e foi colocado para jogar. No intervalo do jogo o Paulo Belo chegou junto a BODE e disse-lhe que deveria pagar recibo, assim como todos o outros, fossem craques ou não. O BODE sentiu-se ofendido dizendo que ele era o BODE , jogador conhecido. O Paulo com sua costumeira rigidez falou: aqui não tem disso não e pode tirar já a camisa que voce aqui não joga mais. Anos mais tarde, visitando um cunhado na Santa Casa, vi o BODE lamentavelmente muito doente e vindo a falecer pouco tempo depois"

 
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