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  As sandálias da xucrice
 
  Sandália da xucrice

Definir a solidariedade no âmbito político se torna um assunto de extrema complexidade, tendo em vista a sua ambigüidade. Mas, primeiramente vamos entender o porquê desta questão. A política, infelizmente, nos traz ,a cada dia que passa, uma idéia de que nada valeu nosso aprendizado, nossa formação acadêmica e até mesmo nossa preparação para a vida, quanto ao desenvolvimento de nosso caráter. Ela é tão compulsiva que até mesmo àqueles que primaram pelos caminhos mais conceitualmente radicais também se dobraram as peripécias e dogmas que constituem todas as mordomias que o poder oferece. Claro, que dentre muitos, afora os grandes estadistas que tivemos, algo de positivo se fez, haja vista as constituições ora estabelecidas.

Mas, o que mais entristece é que existe um termo nas hostes políticas que define bem toda uma atuação, supostamente magnânima, que seria a chamada “contra partida”.

  Sabemos, no entanto, que no conceito do leigo seria simplesmente: o “toma lá da cá” ou “troca-troca”. Portanto, o jogo do poder se resume pura e simplesmente no interesse individual de cada parte e, não raramente, no interesse comum.

Já quanto ao tema desta crônica, tendo ao longo do tempo adquirido o “ranço” do mau político, é que extravaso toda uma insensatez no que diz respeito à solidariedade praticada por “eles”, excluindo obviamente a praticada por nós.

Sob a égide de que praticam o bem é que me deixa encafifado...

Usufruindo da mediocridade, ou melhor, aplicando um termo de certa forma chulo, da “xucrice”, é que fazem uso a todo instante para se manter nos seus cargos eletivos.

Desejo, também, esclarecer que o termo ora referido não é, de forma alguma, pejorativo muito menos pelo significado intrínseco da própria palavra, pois considero um vocábulo que atinge a todos aqueles que pela humildade ou não, são enganados por decisões que mal conseguimos entender.

Portanto, na ânsia de manter o seu “status”, até mesmo pessoas de alto poder aquisitivo cometem atos xucros. Como por exemplo, alguém que entra em uma loja de griffe e paga por uma sandália o equivalente ao sustento de toda uma família. Seja qual for sua alegação, não deixa de ser chocante. Sei que é difícil tal entendimento, mas sinceramente procuro externar, da maneira mais pura, o que sinto no meu âmago. É obvio que o mais abastado responderá usando a famosa frase: “quem pode, pode, quem não pode se sacode”.

Parodiando o Pânico.... ”sandálias da xucrice pra eles”.
   
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