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Carlos Alberto Mano Prieto - ( Gigi)
contato: carlosprieto@giginarede.com.br
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Caminhando contra o vento |
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Caminhava eu absorto em minhas idéias, quando, de repente, dou de encontro com alguém de um semblante majestoso e de uma beleza irradiante, a qual havia conhecido no meu passado juvenil. Fiquei imaginando o quanto imbecil havia sido por ignorá-la desde aquela época. Certeza absoluta de uma felicidade, desperdiçada por outras relações desinteressantes. Era ela a “cultura”.
Em virtude disto, abordar sobre literatura e intelectualidade seria me corresponder com uma minoria ou uma pequena parcela de pessoas que convivi por toda a minha vida. Portanto, abro este espaço para falar a respeito desta agradável união.
Espero com minha humilde compreensão corresponder a esta expectativa que, aliás, faço com muita inveja e ao mesmo tempo com muito prazer.
Mea-culpa, pelo fato de não ter tido a disciplina da leitura quando ainda jovem, pela troca do tempo fútil, dando mais ênfase a banalidades. E agora depois de velho, encontro uma ansiedade na busca deste tempo perdido. Mas, o pouco que assimilei me deu forças para arriscar estas poucas palavras, mesmo tendo muita dificuldade. |
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Um amigo de infância, colega de primário do Ateneu Progresso Brasileiro, onde juntos estudamos, tornou-se um causídico dos mais brilhantes, dono de uma retórica das mais invejáveis. É hoje, em sua pessoa, que me apercebo daquele tempo em que me perdi.
Ambos sentimos na própria pele as “reguadas” e “beliscões” de Aída, Jandira e Cacilda. Ele, no entanto, soube assimilar, ou melhor, entender aqueles pequenos puxões de orelhas das nossas primeiras educadoras, seguindo um caminho fulgente. Que assim continue meu amigo Vicente Cascione. |
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Hoje, tornei-me fã incondicional dos seus escritos. |
Outro amigo, de grande influência na minha formação, foi Sigefredo Magalhães Filho que queria a todo custo que eu lesse o livro "O Processo de Franz Kafka", que para mim era o mesmo que atender às obrigações de minha mãe ao tomar óleo de rícino ou Emulsão de Scott (óleo de fígado de bacalhau) sob chibata.
E eu retrucava: “deixa de frescura e vamos jogar bola”. |
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E assim, fui cruzando e perambulando pela vida, encontrando pessoas de alto nível cultural e me deleitando nas suas sabedorias. Hoje, busco através, não só de suas escritas, mas também de seus papos, um conhecimento ainda maior para que possa me inspirar e ajudar nos meus trabalhos |
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Um encontro quase que diário na Praça Mauá, junto à banca do meu amigo Cláudio Socó, com Amílcar Ferrão Pinto, poeta, escritor, jornalista e titular da Academia Santista de Letras, um autêntico "ghost-writer", bem definido no romance de Sérgio Danese em "A sombra do Meio-dia", e, naqueles poucos minutos, arrancar o mínimo do seu vasto conhecimento literário já é para mim um grande alento. |
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Tomar um café no Gonzaga na Casa do Cafezinho, do meu amigo Pires e Carlinhos, em companhia de Giorgio e Hélio Nascimento e, saber, além de outras coisas, tudo sobre música erudita. |
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Visitar Lourdes Lago Felício, poetisa, sócia fundadora da Academia Feminina de Ciências, Letras e Artes de Santos, e bater um papo amistoso, fazendo-a arrepiar-se com as irreverências das minhas crônicas.
Enfim, são tantas pessoas que me deparo e que tiveram a felicidade de se envolver no devido tempo com ela, a soberba cultura, mas, foram prodigiosamente caminhando com lenço e com documento. |
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